ISC comemora 25 anos com outorga de título e lançamento de websérie

 

ISC comemora 25 anos com outorga de título e lançamento de websérie

 

As pesquisas desenvolvidas pelo Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) orientam importantes decisões políticas e programas de saúde no Brasil e no mundo. Os cursos de doutorado, mestrado acadêmico, mestrado profissional e de graduação também acumulam notas máximas de avaliações. Para celebrar esses 25 anos de conquistas, o ISC realizou na última sexta-feira (4), no Salão Nobre da Reitoria, uma programação especial de aniversário, que contou com a presença de professores, estudantes, servidores técnico-administrativos da universidade, membros da sociedade científica e parlamentares.

A abertura do evento foi dedicada à cerimônia de outorga do título de Professor Emérito ao acadêmico Maurício Barreto, um dos principais articuladores no processo de criação do Instituto. O título é especialmente oferecido a professores que tenham uma produção relevante para a UFBA e para a sociedade. “O brilho de Maurício Barreto é também a tradução da força desse Instituto, uma representação da mais refinada produção acadêmica universitária”, declarou o reitor da UFBA, João Carlos Salles, durante a solenidade.

Além do reitor, a mesa da cerimônia de outorga foi composta pela diretora do ISC, Isabela Cardoso, a professora Glória Teixeira, o ex-reitor da UFBA e da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Naomar de Almeida Filho, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, e o secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas.

Durante a sessão, a diretora Isabela Cardoso destacou a contribuição de Barreto como líder de pesquisa, na militância pela defesa da Reforma Sanitária e do Sistema Único de Saúde (SUS). “Como epidemiologista, professor e grande pesquisador, ele contribuiu de forma excepcional para que alcançássemos o nível de excelência que conquistamos”.

Carreira

Médico e docente da UFBA há 35 anos, Maurício Barreto é professor permanente do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva do ISC/UFBA e coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia).

A produção científica do professor pode ser traduzida em mais de 500 publicações, entre livros e artigos em periódicos nacionais e internacionais. Como autor, é citado em, aproximadamente, 23.600 trabalhos científicos. Uma trajetória narrada pela professora Glória Teixeira, que apresentou os principais trabalhos desenvolvidos pelo pesquisador, como o uso da vitamina A para evitar formas severas de diarreia em crianças e o estudo que apontou para a ineficiência da segunda dose da vacina BCG. “Maurício é um dos artífices do crescimento da epidemiologia brasileira”, pontuou.

A carreira de Barreto é também compartilhada com a esposa Estela Aquino, professora do ISC/UFBA, que dedicou um discurso em homenagem ao companheiro de vida pessoal e acadêmica. “Esse título não consagra apenas uma carreira de dedicação à ciência, ao ensino e à formação de novas gerações, mas a pessoa que ele é, a sua luta permanente e atual por direitos e por justiça social”.

Nos agradecimentos, o agora professor emérito Maurício Barreto lembrou a atuação no processo de criação do Instituto de Saúde Coletiva e o amadurecimento do próprio projeto acadêmico e do programa de pesquisas dentro do ISC. “Foi no Instituto que entendi o sentido de universidade, ambiente onde é possível moldar, dar sentido e articular a busca com a transmissão de novos conhecimentos”.

“Saúde, democracia e civilização”

Esse foi o tema da palestra realizada pelo professor Jairnilson Paim (ISC/UFBA) e pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, como parte das comemorações pelos 25 anos do Instituto de Saúde Coletiva.

Um dos membros mais atuantes do movimento da Reforma Sanitária no Brasil e na defesa do SUS, Jairnilson Paim destacou as principais reformas na área da saúde ao longo da história e o cenário atual diante dos ataques à democracia. “A civilização que nos querem roubar precisa ser defendida e retomada”, afirmou.

O professor também falou sobre a atuação da saúde coletiva, que coloca em evidência o social, e o papel da universidade na criação de alternativas que possam propor mudanças pensadas pela pesquisa e reflexão teórica. “O que queremos para saúde é o que queremos para a sociedade brasileira”.

Nísia Trindade enfatizou o momento de instabilidade para o futuro das universidades públicas brasileiras, para a ciência e tecnologia. “É nosso papel divulgar as pesquisas que possam contribuir para um país soberano, um país com justiça social, em que civilização seja igual à democracia e não a sua negação”, declarou.

Após a palestra, os professores aposentados receberam uma homenagem especial pelo papel que desempenharam desde a fundação do ISC. “Você é sujeito na construção do Instituto de Saúde Coletiva. Utopia que se tornou realidade pelo trabalho criativo, coletivo e fundamentado nos princípios e valores democráticos, pela saúde e por uma sociedade mais justa”, dizia a inscrição da placa entregue aos fundadores.

Websérie “Eu e o ISC”

Para comemorar os 25 anos, o Instituto de Saúde Coletiva também lançou a Websérie “Eu e o ISC”. O objetivo é valorizar a participação daqueles que ajudaram a consolidar o papel do Instituto no campo da saúde coletiva. A cada capítulo, a produção vai trazer depoimentos de professores, estudantes e funcionários em diferentes temas abordados.

O primeiro vídeo, já disponível, mostra o discurso histórico do médico sanitarista Sérgio Arouca, que marcou a 8ª Conferência Nacional de Saúde no ano de 1986. Interpretado agora por Priscila Lima, estudante de graduação do ISC, o vídeo transporta para 2019 as reflexões sobre o direto à saúde e o papel do Estado, lançadas por Arouca décadas atrás, mas que ainda são tão atuais quanto necessárias.

O pensamento do sanitarista, que ajudou a inspirar a fundação do Instituto, é um convite para o internauta conhecer de perto a história do ISC, pautada na excelência acadêmica e no compromisso social, ao longo de 25 anos.

A websérie é produzida pelo Laboratório de Audiovisual do Instituto de Saúde Coletiva. O roteiro é elaborado pelo jornalista Egberto Siqueira, com imagens e edição de Robério Lopes e videografismo de Gilson Rabelo, Anannda Meneses e Cath Gomes. No total, serão exibidos 10 vídeos com diferentes temáticas, desde a fundação até os principais estudos que colocaram o ISC no cenário internacional da saúde coletiva.

Fonte: ISC/UFBA.

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